Católico não pode ser maçom

Até o século XIX apenas temos dados sobre a maçonaria no Brasil. Contudo, em 1801 a loja “Reunião” foi instalada sendo filiada ao Grande Oriente da França, com Rito Moderno ou Francês. Isso não caiu bem ao Grande Oriente de Portugal, que enviou um delegado para tentar submeter a maçonaria brasileira à portuguesa. Como não teve êxito, fundaram duas lojas submissas ao Reino, que se chamavam “Constância” e Filantropia”, mas foram “adormecidas” ou “abateram colunas”, em linguagem maçônica, que significa que “foram fechadas”. Em 1802, “Virtude e Razão” foi fundada na Baía; aí também em 1807, fundaram a “Humanidade”; em 1813, a “União”; três lojas e, portanto, os “Filhos da Viúva” (Maçons), em 1813, tinham o necessário para fundar o primeiro Grande Oriente (do Brasil), o que de fato fizeram; contudo, em 1817, tudo “adormeceu” novamente. Houve outras tentativas, mas a que mais se consolidou foi a loja “Comércio e Artes”, fundada em 1815. Dom João VI, em 30 de março de 1818, sabendo do perigo da maçonaria, decretou a proibição dessas sociedades secretas no Reino, vendo nelas realidades contra o Estado.

Sendo assim, era ainda mais importante que os maçons do Brasil se desvinculassem mais ainda dos maçons do Reino. No dia 28 de maio de 1822, em Assembleia Magna, no Rio de Janeiro, na loja “Comércio e Artes”, os maçons brasileiros do Oriente Francês, fundaram duas outras lojas (“União e Tranquilidade” e “Esperança de Niterói”) e assim puderam instalar o Grande Oriente do Brasil no dia 17 de junho de 1822, tendo à frente José Bonifácio de Andrada e Silva, o futuro patriarca da independência, como primeiro Grão-Mestre. A ata (balaústre) desta instalação começa falando que isso aconteceu “à glória do Grande Arquiteto do Universo”. No Brasil, o Grande Oriente começou a trabalhar a partir do século XIX pela independência. Foi conatural que alguns clérigos se aliassem à loja, pois estavam metidos na política. Por exemplo, o Cônego Januário da Cunha Barbosa, o Frei Francisco de Santa Teresa Sampaio e outros, se encontravam entre os maçons. O príncipe Dom Pedro era do interesse da maçonaria e José Bonifácio se encarregaria de trazê-lo para a sociedade secreta. No dia 2 de agosto de 1822, o príncipe já tinha até um pseudônimo maçônico, Aprendiz Guatimozin (nome do último imperador azteca), e ainda em 1822, Dom Pedro I seria eleito Grão-Mestre. Por desentendimentos entre maçons, o próprio Dom Pedro fechou o Grande Oriente do Brasil, que seria reaberto somente em 1831, tendo como grão-mestre José Bonifácio de Andrada.

Até agora, como se pode perceber pela nossa narração, as lojas adotaram o Rito Moderno ou Francês, apenas em 1828, no Rio de Janeiro, foi fundada a primeira loja do Rito Escocês Antigo e Aceito, o qual chegou a ser maioritário no Brasil. Contudo, maçonaria brasileira sofreria tantas e tão grandes divisões internas que quase não merecia no final do século XIX o nome de maçonaria e a “trilogia maçônica” (igualdade, liberdade, fraternidade) apenas uma utopia entre eles.

Seja como for atualmente, o fato é que os católicos não podem ser maçons e, no caso de terem se filiado à maçonaria, não podem receber a sagrada comunhão.

Do século XVIII ao século XX, oito papas se pronunciaram contra a maçonaria, pois esta sociedade secreta propaga o indiferentismo religioso, no qual todas as religiões seriam iguais. Por outro lado, a filosofia secularista da maçonaria exclui a Igreja da participação na vida pública dos Estados, não somente na vida política, mas em outras manifestações da vida em sociedade: a Igreja deveria estar relegada às suas sacristias. Para conseguir seus objetivos, como já vimos, interessa à maçonaria que nela entrem inclusive membros do clero, que, paulatinamente, aos poucos os irá secularizando em prol de suas causas laicistas.

O novo Código de Direito Canônico, o de 1983, promulgado por São João Paulo II, coloca a maçonaria entre as “sociedades que maquinam contra a Igreja”.

(Para a parte histórica veja KLOPPENBURG, Boaventura, A maçonaria no Brasil. Orientação para os católicos, Petrópolis: Vozes, 1956, pg. 13-33).

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