Apologética, 4/25: O Catolicismo não foi fundado por Constantino

Link da aula: https://www.youtube.com/watch?v=zrp08QJ1obs

Já negamos que teria sido Paulo quem fundara o cristianismo, pois as ações e as palavras de Jesus Cristo, apresentadas anteriormente, já provam suficientemente que foi Jesus Cristo quem fundou o cristianismo e que ele é o fundamento e o fundador da religião cristã, contudo, em determinados círculos se escuta que Constantino Magno teria inventado o Catolicismo. Os autores desta tese aceitam que o cristianismo tenha sido fundado por Jesus, isto é, há uma continuidade entre Jesus e o cristianismo, o que eles não aceitam é a perfeita continuidade entre o cristianismo e o catolicismo. Para esses autores, o catolicismo seria a distorção do cristianismo. Talvez Adolf von Harnack poderia ser citado aqui como o pensador que defendeu esta tese tendo certo ar de ciência. Para ele, o cristianismo de Jesus seria apenas uma religião com duas afirmações básicas: Deus é nosso Pai e nós somos todos irmãos. Posteriormente, devido ao poder dos hierarcas cristãos, o cristianismo – graças à promoção que obteve do Império Romano, a começar por Constantino Magno, no século IV – teria inventado uma série de dogmas. Desta maneira o cristianismo se imporia no Império Romano através de suas verdades dogmáticas, nascendo assim, com o apoio de Constantino, o catolicismo.

Esta tese é falsa. Não é verdade que as únicas verdades de fé do cristianismo primitivo seja a paternidade de Deus e a fraternidade universal, pois a ressurreição de Jesus (1 Cor 15), a instituição da Eucaristia (cf. 1 Cor 11), a salvação exclusiva em Jesus e pela sua graça (cf. At 15), entre outras verdades de fé presentes no Novo Testamento, provam suficientemente o erro de Harnack. Mais ainda, há uma continuidade perfeita entre a Igreja do Novo Testamento e a Igreja Católica, de tal maneira que a Igreja de Jesus é a Igreja Católica. Grandes verdades estavam, no tempo dos Apóstolos, em seu momento embrionário; será no curso dos séculos que vários dogmas se farão patentes à vida da Igreja de Jesus Cristo.

Santo Inácio de Antioquia (+108) afirmou: “Onde aparece o bispo, aí esteja a multidão, do mesmo modo que onde está Jesus Cristo, aí está a Igreja Católica” (Ad Esm. 8,2)

Santo Irineu de Lyon (130-202) deixou escrito que a igreja “maior e mais antiga” era a de Roma e nos dá uma lista dos sucessores do Apóstolo Pedro, de tal maneira que Lino teria governado a Igreja; depois Anacleto; depois Clemente; nos diz ainda que o 12º lugar na sucessão em Roma foi de Eleutério e que ele detinha o pontificado. Finalmente, Irineu nos diz que através desta sucessão chegou até nós “a tradição apostólica e a pregação da verdade” (Contra os hereges, III, 3,1-3).

Sendo assim, pode-se observar um desenvolvimento harmônico no cristianismo. Realmente, Jesus Cristo deixou a fé e os costumes cristãos de maneira embrionária, os quais foram progredindo no interior de uma Tradição ininterrupta guardada pelo seu Espírito Santo. Portanto, o desenvolvimento dogmático-moral que temos na Igreja Católica bem pode ser comparado ao desenvolvimento que existe com todo ser humano que mantem o seu “ser pessoa” em todos os seus demais estados; a Igreja é Católica em seu estado embrionário, também o é em todos os seus estados e séculos.

Por outro lado, como se sabe pela vida de Constantino, no começo ele tolerou e promoveu o cristianismo sem, contudo, incorporar-se a ele. Sua mãe, Santa Helena, era cristã com todo o seu ser, mas seu filho Constantino receberia plenamente a fé apenas no final de sua vida. Os atos do imperador romano naquele então tinha uma finalidade mais política que religiosa, pois ele queria manter a unidade do império, importando-se relativamente pouco com a verdadeira religião; serão os seus sucessores, máxime Teodósio o Grande, que farão do Catolicismo a religião oficial do Estado.

(Livro interessante para a leitura: EUSÉBIO DE CESARÉIA, História eclesiástica, São Paulo: Paulus, 2ª ed., 2008, 508 p.)

Pe. Dr. Françoá Costa

Curso de Apologética, 4/25

Faculdade Católica de Anápolis – 11/2019

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