Apologética, 7/25: O ser humano está totalmente corrompido e tem uma liberdade escrava?

Link da aula: https://www.youtube.com/watch?v=lBGk0klPfdI

Martinho Lutero, o pai do protestantismo, afirmou que o ser humano se encontra totalmente corrompido, consequentemente também sua inteligência e liberdade. Sendo assim, sua liberdade se encontra escravizada. Efetivamente, são livres aqueles seres que possuem inteligência e vontade, porém se estas duas capacidades da alma humana se encontrarem totalmente corrompidas, forçoso seria afirmar que também a liberdade estaria corrompida. Se assim for, o ser humano não deveria ser culpado de suas próprias ações, já que haveria uma violência interior tão forte que o escusaria de pecado em sua razão formal, uma vez que o pecado é aquela ação feita com plena deliberação da inteligência e pleno consentimento da vontade. O ser humano estaria reduzido a ser todo ele um escravo, também em suas capacidades.

Evidentemente, neste pensamento, não sobraria espaço para fazer algo de bom, todas as ações humanas estariam corrompidas, todas seriam pecaminosas. Mas tampouco alguém poderia ser culpado de alguma coisa, uma vez que todas as suas “ações más” nada mais seriam que ações forçadas pela própria concupiscência. A graça de Deus não seria nada em nós, mas o nosso pecado tampouco significaria nada para Deus. E é isso mesmo que afirmava Lutero: somos totalmente pecadores, porque herdeiros de uma natureza totalmente corrompida, nenhuma de nossas ações prestam para nada; a única coisa que podemos fazer é esperar a salvação que vem de Deus pela fé.

Essa visão, contudo, não está de acordo com a revelação cristã, por exemplo em Gl 5,1: “foi para a liberdade que Cristo nos libertou. Permanecei firmes, portanto, e não vos deixeis prender de novo ao jugo da escravidão”. Efetivamente, Jesus Cristo nos libertou por sua Paixão e Ressurreição: “Se, pois o Filho vos libertar, sereis, realmente, livres” (Jo 8,36). Mais ainda, o ser humano antes da redenção realizada por Cristo não estava totalmente corrompido, tampouco em sua liberdade. O concílio de Trento, condenando o excesso luterano, deixou bem claro que o ser humano não estava totalmente corrompida, mas ferido em si em suas capacidades e, contudo, o Concílio reconhece que o homem é incapaz de salvar-se a si mesmo e, neste sentido, escravo do pecado. Porém, Cristo nos libertou. Como se sabe, a afirmação de que o homem é escravo do pecado por causa de sua total corrupção, segundo Lutero, não vale apenas para antes da Redenção, mas também para depois que Jesus Cristo nos salvou; por isso a redenção que Lutero afirma seria alguma coisa mais exterior que interior. Em todo caso, o homem permaneceria ao mesmo tempo pecador e justo (simul iustus ac peccator).

Na doutrina católica, o ser humano, não está totalmente corrompido pelo pecado, pois, pela criação, restou uma natureza ferida, porém capaz de realizar certas coisas boas, ainda que não meritórias. Pela redenção, o ser humano foi redimido por Cristo, também em sua liberdade, ainda que permaneça a concupiscência para que possamos merecer, se sairmos vencedores das tentações, contudo essa vitória também acontecerá pela graça de Deus em nós. A partir de então, o ser humano pode não somente realizar obras boas, mas também meritórias. Isto é, pressuposta a redenção e todas as demais graças de Deus, nós podemos merecer a nossa salvação. Mas, observe bem: pressuposta a graça de Deus, pois sem Jesus não somos nada (cf. Jo 15,1).

A liberdade do ser humano não é essencialmente o poder escolher entre uma coisa ou outra, mas aquela liberdade que nos capacita para escolher aquilo que nos edifica como pessoas e como cristãos. Pode escolher aquilo que realmente nos faz aquilo para o qual fomos chamados, que é o nosso próprio ser: aqui está a essência da liberdade. A liberdade de escolha (arbítrio) apenas mostra que somos livres, mas não mostra o que é a liberdade, a qual se enobrece ao escolher o bem honesto, isto é, conforme à natureza humana e a dignidade cristã; ao escolher o bem deleitável, se este estiver submetido ao bem verdadeiro; ao escolher o bem útil enquanto que este está apontando para os diversos fins que fazem parte do fim último da vida humana, a visão beatífica.

(Livro interessante para a leitura: Jacques PHILIPPE, A liberdade interior, Aquiráz: Shalom, 2011, 231 p.)

Pe. Dr. Françoá Costa

Curso de Apologética, 7/25

Faculdade Católica de Anápolis – 11/2019

Posted in Estudos.

One Comment

  1. Estou conhecendo agora estás aulas e já apaixonei, porque tenho uma dificuldade muito grande fazer as pessoas entender quanto é ruim sermos católicos protestantes e é o que mais estamos encontrando e está aula me encinou a maneira perfeita de conversar a este respeito.
    Bom dia Deus abençoe você

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